
Carpe o vento a poeira do egoísmo que dilacera
Visceralmente a face avessa dos campos da era
E brada por crescer quiçá um grão na quimera
Dos olhos que enxergam alagando que encerra.
O flagelo a arder nos corpos de almas ausentes
No imolar avaro, o quadro pintado ante a visão
Descortinada aos olhos do mundo nada clemente
O apocalipse se desenha mortificando esse chão!
Dilúvios de pragas, e guerras lançadas à mão
Dos sonhos de vida que a humanidade encarcera

Junto à carcaça putrefata do viver na inanição,
Num solo ressequido cavando sepulcros na seara.
Esboços anêmicos exterminando a contemplação,
Da savana moribunda que o gado já não alimenta
Salivando destino sem enlevo da prece a invocação
Acirram lágrimas os riscos da tela que os sustenta.
Surgem negros anjos sem asas, corpos sem caras
No retrato cruento, a aura dos meninos a sangrar
Nas harpas de cordas negras a vaticinarem a área
A funesta musica a fome orquestrada nas calçadas.
Ante a pena esconsa dos retos jamais “humanos...”
Tinge de dor o meu canto, fulminado pela inópia
Do rubro horizonte e nuvens boquiabertas, há anos
Predizendo traços murmurados na misera Etiópia.
Deth Haak – Brasil
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